quarta-feira, 8 de abril de 2026

A geração do “rolar” a tela: Estamos idiotizando crianças e jovens?


                                                        Créditos: Jonathan McHugh


“Quando tudo é imediato, nada é profundo.”

Vivemos em um tempo em que os smartphones deixaram de ser apenas uma ferramenta de comunicação e se tornaram o centro gravitacional da vida cotidiana. Redes sociais, notificações constantes e, sobretudo, o domínio dos vídeos curtos moldam comportamentos e hábitos de milhões de pessoas. O problema é que esse fenômeno não atinge apenas adultos ocupados, mas principalmente crianças e jovens em fase de formação — e é aqui que mora o perigo.

A Cultura da distração permanente

Se antes era comum uma criança passar horas com um livro, um brinquedo ou uma brincadeira ao ar livre, hoje encontramos meninos e meninas hipnotizados pela tela, consumindo vídeos de 15 a 30 segundos, repletos de estímulos visuais e sonoros.

O impacto é silencioso, mas devastador:

·         Cérebro condicionado ao imediato → tarefas mais longas e desafiadoras passam a parecer “insuportáveis”.

·         Atenção fragmentada → incapacidade de manter foco contínuo em leituras, estudos ou diálogos.

·         Superficialidade intelectual → conhecimento vira uma sucessão de frases soltas, memes e opiniões rasas.

·         Ansiedade e falta de resiliência → a recompensa instantânea gera intolerância à espera e ao esforço.

Estamos, em outras palavras, produzindo gerações treinadas para a dispersão.

Da informação ao entretenimento raso

Nunca houve tanto acesso à informação. Mas acesso não é conhecimento. Informação sem digestão crítica vira barulho. E quando o entretenimento se sobrepõe ao aprendizado, cria-se uma geração que sabe deslizar o dedo na tela, mas não consegue organizar ideias ou interpretar a realidade de maneira profunda.

Pais, professores e líderes já percebem os reflexos: queda na concentração escolar, dificuldades de leitura, aumento de diagnósticos de déficit de atenção e um desinteresse crescente por assuntos que exigem reflexão ou paciência.

Responsabilidade coletiva

Não se trata de demonizar a tecnologia. O problema não está no celular em si, mas no uso desmedido e sem orientação.

·         Famílias precisam estabelecer limites claros: tempo de tela, incentivo à leitura, diálogo aberto.

·         Escolas devem resgatar o prazer pelo conhecimento crítico, estimulando debates, escrita e concentração.

·         Sociedade como um todo precisa discutir seriamente o impacto da economia da atenção, que transforma jovens em “produtos” das plataformas digitais.

Reflexão final

Se não repensarmos agora, estaremos diante de uma geração que, em vez de criadores, se tornará apenas consumidora de conteúdos descartáveis. A pergunta que fica é:

👉 Queremos jovens preparados para construir o futuro ou apenas treinados para assistir passivamente ao próximo vídeo de 15 segundos?

Talvez o verdadeiro desafio do nosso tempo não seja ensinar a próxima geração a usar tecnologia, mas sim a desconectar-se dela quando necessário, preservando o que nos torna humanos: a capacidade de pensar, refletir e sonhar.


Autor: Carlos A. Zaffani  -  Consultor especializado na gestão de empresas

Redes sociais: um apelo à sensatez e ao diálogo construtivo

 

Vivemos uma era de transformação digital que oferece a todos um canal de expressão quase imediato. Redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter tornaram-se espaços onde pessoas de todas as idades e origens podem compartilhar suas ideias, opiniões, frustrações e desabafos. Essa liberdade é, sem dúvida, um direito precioso e representa um avanço em nossa capacidade de comunicação. No entanto, é preciso reconhecer que, junto com essa liberdade, surge uma responsabilidade de igual importância.

Nosso desejo de manifestar opiniões e expressar nossas frustrações é natural. Em muitos casos, as redes sociais acabam funcionando como um espaço seguro para isso. Mas o perigo está em que, na pressa de desabafar ou de “ter a última palavra”, podemos perder a chance de entender o contexto mais amplo dos assuntos que comentamos. Podemos esquecer que, em muitos casos, a nossa interpretação dos fatos é apenas uma entre várias possíveis, e que nossa opinião pode ser influenciada por frustrações pessoais, preconceitos inconscientes ou desinformação.

1.      Refletindo antes de comentar

Antes de escrever qualquer opinião nas redes sociais, é essencial refletir:

·         Será que tenho o conhecimento necessário sobre o assunto?

·         Estou sendo justo em minha opinião?

·         Existe outra perspectiva que eu ainda não considerei?

O exercício de nos fazer essas perguntas nos ajuda a desenvolver uma postura de respeito e consideração pelo que estamos abordando e pelas pessoas que podem ser afetadas por nossos comentários. Parar para pensar, questionar e, se necessário, buscar informações adicionais, é um caminho fundamental para garantir que nosso discurso seja responsável.

2. O Problema da impulsividade e do desabafo público

A impaciência e a raiva momentânea são emoções humanas naturais, mas elas não devem guiar nossas ações. A impulsividade nas redes sociais pode levar a comentários que, depois de refletidos, percebemos que não eram justos, ou que sequer representavam o que realmente pensamos. Desabafar online, sem considerar o impacto das palavras, pode resultar em um ciclo negativo: críticas, discussões e até ataques que, ao final, não trazem nenhuma resolução, mas apenas alimentam o clima de hostilidade.

3. Empatia e respeito: exercícios essenciais no ambiente digital

É preciso entender que, por trás de cada postagem, existe uma pessoa com sentimentos, experiências e uma perspectiva de vida única. A empatia nas redes sociais nos ajuda a enxergar além da nossa opinião e a nos colocar no lugar dos outros. Ela é o primeiro passo para um diálogo saudável e para o crescimento pessoal e coletivo. Antes de responder a uma postagem com um comentário crítico, pergunte-se: “Como eu reagiria se alguém comentasse isso sobre mim?”

4. A importância do diálogo construtivo

As redes sociais oferecem uma oportunidade única para o diálogo e a troca de ideias. No entanto, para que essa troca seja construtiva, precisamos ir além do desabafo e buscar argumentações coerentes, respeitosas e baseadas em fatos. O diálogo construtivo é aquele que considera diferentes perspectivas e que busca, acima de tudo, promover uma discussão saudável, na qual todos possam aprender e evoluir.

5. Pensamento crítico: uma ferramenta para evitar o “efeito manada”

Muitas vezes, as redes sociais amplificam opiniões populares, criando uma sensação de que todos pensam da mesma forma sobre determinado assunto. Esse “efeito manada” pode ser perigoso, pois nos leva a replicar ideias sem questioná-las. Ter pensamento crítico significa analisar a veracidade das informações, refletir sobre a validade das opiniões que absorvemos e, principalmente, ter a coragem de formar uma opinião própria, baseada em dados e no entendimento do assunto.

Conclusão: responsabilidade compartilhada

Como participantes ativos das redes sociais, cada um de nós tem o poder – e o dever – de contribuir para um ambiente mais saudável, respeitoso e construtivo. Antes de publicar ou compartilhar qualquer opinião, devemos lembrar que nossa presença online também é uma extensão de quem somos no mundo real. Da mesma forma que desejamos ser tratados com respeito e dignidade, devemos oferecer o mesmo aos outros.

Ao cultivar o hábito da reflexão, da empatia e do diálogo respeitoso, podemos fazer das redes sociais um espaço que não só expressa opiniões, mas que também constrói pontes de entendimento e de crescimento mútuo. Essa postura nos ajuda a manter a própria integridade, enquanto nos lembra que a liberdade de expressão é mais significativa quando exercida com responsabilidade e sabedoria.

 Autor: CARLOS A. ZAFFANI   -   Consultor em Gestão de Empresas


terça-feira, 22 de outubro de 2024

Home Office - Reflexões, questões, análises e recomendações

 O trabalho home office, impulsionado pela pandemia da Covid-19, se consolidou como uma prática comum em diversas empresas ao redor do mundo. Esse modelo de trabalho trouxe consigo uma série de vantagens, como a flexibilidade para os funcionários e a redução de custos operacionais para as empresas. No entanto, também trouxe desafios significativos, especialmente quando se trata de manter a produtividade e gerenciar equipes à distância de forma eficiente. Vamos explorar esses desafios e, em seguida, discutir estratégias práticas para aprimorar o processo e maximizar os benefícios do trabalho remoto.

1. Desafios do Trabalho Home Office para Empresas

Embora o home office ofereça vantagens, muitas empresas têm encontrado dificuldades para adaptar suas práticas de gestão e manter o alto nível de produtividade que esperam. Alguns dos principais desafios incluem:

  • Dificuldade em Monitorar Produtividade: No escritório físico, é mais fácil para os gestores observar e monitorar o desempenho dos funcionários diretamente. No ambiente remoto, essa visibilidade é reduzida, e os gestores precisam confiar que as equipes estão sendo produtivas sem supervisão direta.
  • Engajamento e Comunicação: Manter o engajamento dos colaboradores é desafiador quando as interações se limitam a videoconferências e mensagens instantâneas. A falta de contato físico e reuniões presenciais pode levar ao isolamento e à desconexão dos colaboradores com a empresa.
  • Problemas com Tecnologia e Infraestrutura: Nem todos os colaboradores possuem o equipamento ou a conectividade necessários para trabalhar de forma eficiente em casa. A falta de infraestrutura adequada pode impactar diretamente a produtividade e a qualidade do trabalho.
  • Gestão de Tempo e Autodisciplina: Muitos colaboradores enfrentam dificuldades para gerenciar seu tempo e manter uma rotina organizada quando trabalham remotamente. Distrações em casa e a falta de separação clara entre o ambiente de trabalho e o ambiente pessoal são fatores que prejudicam a produtividade.

2. Estratégias para Aprimorar o Processo de Trabalho Home Office

Diante desses desafios, é essencial que as empresas adotem estratégias e ferramentas específicas para garantir a produtividade, o engajamento e a eficácia na gestão de suas equipes remotas. Vamos explorar algumas práticas recomendadas:

a) Estabelecimento de Políticas Claras

O primeiro passo para aprimorar o home office é a criação de políticas e diretrizes claras que definam as expectativas da empresa e estabeleçam regras para o trabalho remoto. Essas políticas devem incluir:

  • Horários de Trabalho: Estabelecer horários de início e fim para o expediente, além de intervalos para garantir que os colaboradores mantenham um ritmo saudável de trabalho e descanso.
  • Objetivos e Metas Claras: Definir metas específicas e mensuráveis para cada colaborador ou equipe. Quando as metas são claras, os funcionários sabem exatamente o que é esperado deles, mesmo que estejam trabalhando remotamente.
  • Padrões de Comunicação: Especificar os canais de comunicação que devem ser utilizados e a frequência de reuniões e check-ins. Por exemplo, determinar que todas as equipes realizem uma reunião semanal para alinhar as tarefas ou um check-in diário rápido para monitorar o andamento das atividades.

b) Investimento em Tecnologia e Ferramentas de Gestão

Para gerenciar equipes à distância de maneira eficiente, é crucial investir em tecnologias e ferramentas adequadas que facilitem a comunicação, o monitoramento e a colaboração. Algumas ferramentas essenciais incluem:

  • Softwares de Gestão de Projetos: Ferramentas como Trello, Asana ou Monday.com ajudam a organizar tarefas e acompanhar o progresso das equipes em tempo real, facilitando a gestão e a visualização das atividades de todos os colaboradores.
  • Soluções de Comunicação e Colaboração: Aplicativos como Microsoft Teams, Slack e Zoom são fundamentais para manter a comunicação fluida e as reuniões virtuais organizadas, além de permitir a criação de espaços específicos para discussões e compartilhamento de documentos.
  • Softwares de Monitoramento de Produtividade: Algumas empresas optam por utilizar ferramentas que monitoram o tempo de atividade dos colaboradores, como Time Doctor ou Hubstaff. Embora seja importante equilibrar essa prática com a privacidade dos funcionários, esses softwares podem fornecer insights sobre padrões de trabalho e produtividade.

c) Capacitação e Desenvolvimento de Liderança

A gestão de equipes remotas exige habilidades específicas, como gestão de tempo, comunicação eficiente e inteligência emocional. É fundamental que os líderes e gestores recebam treinamento para desenvolver essas competências. Algumas ações importantes incluem:

  • Treinamento em Gestão de Equipes Remotas: Oferecer cursos e workshops que ensinem os líderes a motivar e engajar seus colaboradores à distância, mantendo uma comunicação clara e eficaz.
  • Desenvolvimento de Habilidades de Escuta e Empatia: Um gestor que sabe ouvir e entender as necessidades dos colaboradores, especialmente em um ambiente remoto, consegue estabelecer uma conexão mais forte com sua equipe, aumentando a motivação e a produtividade.

d) Promoção de Engajamento e Cultura Organizacional

A manutenção do engajamento e a preservação da cultura organizacional são cruciais para o sucesso do trabalho remoto. Algumas práticas para fortalecer esses aspectos incluem:

  • Reuniões Virtuais Regulares: Além das reuniões de trabalho, organizar encontros sociais virtuais, como happy hours ou cafés, pode ajudar a promover a interação entre os colaboradores e reforçar o sentimento de pertencimento à equipe.
  • Programas de Reconhecimento e Incentivos: Criar programas para reconhecer e recompensar os colaboradores que se destacam, mesmo que remotamente, é importante para motivar e valorizar o trabalho realizado à distância.
  • Iniciativas de Bem-Estar: Oferecer apoio psicológico, orientação sobre ergonomia e práticas de bem-estar para os colaboradores que trabalham em casa pode ajudar a combater o estresse e o isolamento, promovendo um ambiente mais saudável e produtivo.

e) Feedback Constante e Avaliação de Resultados

No home office, o feedback constante é ainda mais essencial. É importante que os gestores mantenham um diálogo aberto e contínuo com seus colaboradores, fornecendo orientações e ajustes quando necessário. Além disso:

  • Avaliações Periódicas de Desempenho: Estabelecer ciclos de avaliação de desempenho específicos para a equipe remota, revisando o progresso das metas e identificando áreas de melhoria.
  • Feedback Bidirecional: Encorajar os colaboradores a compartilhar suas opiniões e sugestões sobre como o trabalho remoto pode ser aprimorado, criando um ambiente de confiança e colaboração.

3. Conclusão

O trabalho home office, apesar de trazer desafios, oferece uma oportunidade valiosa para as empresas se tornarem mais flexíveis e inovadoras em sua forma de operar. Ao estabelecer políticas claras, investir em tecnologia, capacitar líderes, promover o engajamento e manter uma comunicação aberta e constante, as empresas podem transformar esses desafios em oportunidades de crescimento.

O trabalho remoto não precisa ser um obstáculo, mas sim uma vantagem competitiva que, quando bem gerida, pode aumentar a produtividade e a satisfação dos colaboradores. Por fim, o sucesso do home office depende da adaptação e evolução contínua das práticas de gestão e da abertura para ouvir e aprender com as experiências dos próprios colaboradores.

 

Autor: Carlos A. Zaffani - Consultor em Gestão de Empresas

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Preço: Uma questão de vida ou morte!

 Hoje em dia, com poucas exceções, praticamente todos os segmentos de negócios apresentam um alto grau de competição. Assim, podemos afirmar que a hiper competição está presente no mundo empresarial, fazendo parte do dia-a-dia de todos os gestores.


Seja pelo advento de novas tecnologias que capturaram parcelas significativas do mercado de determinados segmentos, seja pela criação e/ou entrada de novas empresas, seja pela visão equivocada e distorcida de muitos empresários e executivos que super dimensionaram o potencial do mercado, fizeram vultosos investimentos em novos equipamentos e acabaram gerando excesso de capacidade instalada ou seja pela migração de valor provocada por novas soluções que atenderam melhor as necessidades dos clientes, a verdade é que a maioria das empresas operam em setores que apresentam elevados graus de concorrência, incentivando e levando muitos gestores  à prática de preços inconsequentes que culminam, em muitas ocasiões, na destruição dessas organizações.

Será que uma política de preços baixos é a melhor solução para manter-se no mercado, reconquistar clientes perdidos, ser lucrativa, dispor de capital de giro próprio e gerar caixa operacional suficiente para novos investimentos e crescimento?

A história nos apresenta inúmeros exemplos em que o preço foi fator decisivo para implementação bem sucedida de determinadas estratégias mercadológicas.  Nessa direção, lembro-me sempre da estratégia adotada - há anos - por um dos maiores fabricantes de papéis de nosso país, o qual, para entrar no mercado de um determinado tipo de papel (até então dominado por outros dois tradicionais fabricantes), simplesmente derrubou o preço vigente, marcou sua presença e rapidamente conquistou parcela expressiva desse mercado.  Em outras palavras, a empresa “comprou” uma fatia desse mercado!

Se uma estratégia baseada no preço foi decisiva para aquela situação, tenho comigo que quase sempre não será!


  • Estrutura, custos, despesas e margens
De maneira geral, apesar de reconhecer que as diferenças tecnológicas - existentes entre empresas concorrentes - foram substancialmente reduzidas nos últimos anos,  é sabido que as estruturas internas, custos de produção, despesas operacionais e margens requeridas individualmente podem apresentar grandes diferenças, o que per si, são fatores suficientes para  não permitir que ninguém fixe ou determine o “seu  preço”.

É comum ouvirmos, entre outras coisas, que “o mercado só compra preço”, ou “eles têm condição de fazer esse preço porque possuem uma estrutura enxuta”, ou então, “eles compram grande quantidade de matérias primas e por isso conseguem preços melhores que os nossos”, ou ainda, “eles trabalham meio na informalidade e sonegam impostos”.   A verdade é que cada empresa tem a sua realidade e por mais parecidas que sejam tecnologicamente, diferenças importantes sempre existirão e, muito embora o mercado crie um referencial limitador, entendo que jamais uma organização vencedora deverá ter no preço seu principal argumento de vendas.

Portanto, apesar do elevado nível de competição, o grande desafio dos gestores não está na busca da destruição da concorrência, mas sim no sucesso das estratégias de posicionamento no mercado. Cada empresa deve desenvolver e dispor de mecanismos gerenciais internos para não se deixar levar pela tentação de ter o “preço” como principal estratégia de venda ou tábua de salvação.


  • Formação do preço
Didaticamente, numa indústria, podemos dizer que o preço é composto pelos custos de produção + despesas + margem de lucro. Hipoteticamente, se uma empresa produz um único produto e apresenta:

    • Custos de produção (Materiais, Mão-de-obra e Gastos gerais de fabricação) de $ 500;
    • Despesas (Vendas, Administrativas, Financeiras e Gerais) de $ 300; e
    • Objetiva um lucro líquido antes dos impostos de 20% do valor da venda líquida (após dedução dos impostos);
o preço de venda será de $ 1.000, cujo resultado ficaria assim demonstrado:
                                                            
Venda Líquida........:1.000
(-) Custo de Produção:   500
(=) Lucro Bruto:   500
(-) Desp.Operacionais:   300
(=) Lucro líquido:   200
% de lucro:  20%


Pela simplicidade do exemplo queremos mostrar que apesar das três variáveis  (custos, despesas e lucro), geralmente a margem de  lucro é a primeira afetada quando opta-se pela redução do preço nas negociações, até porque hoje em dia a grande maioria das estruturas das empresas já passaram por vários processos de reengenharias ou  reestruturações o que limita fortemente qualquer margem de manobra.

Assim, na sequência do mesmo exemplo, se a empresa tem um cliente que não aceita nenhuma argumentação que não seja o preço e como tal se dispõe a pagar só $ 800 e mesmo assim ela deseja fechar essa venda não terá outra alternativa a não ser buscar reduções  adicionais nos custos de produção, nas despesas e comprometer ou até anular a margem de lucro.

  • Como evitar a tentação da utilização de estratégia de venda baseada no preço
Shapiro, especialista em Vendas e Marketing de Harvard há anos já apresentava algumas recomendações para evitar que os outros (clientes ou concorrentes) estabeleçam o seu preço:

1.   Crie valor para o seu cliente através :

  • do desenvolvimento de motivos e significados  ( conveniência, disponibilidade, funcionalidade e relacionamento ) que levem-no a querer fazer negócio com sua empresa; e
  • da eliminação de qualquer motivo que levem-no a não querer fazer negócio com sua organização (ex: problemas com prazo de entrega, transporte, cobrança, etc).

2.  Escolha seus clientes ou concentre-se naqueles em que a percepção do valor oferecido seja mais forte, pois é cada vez mais reconhecido pelos gestores que é impossível manter a excelência e serviços excepcionais para todos os clientes e em todas as negociações.

3. Seja diferente, principalmente naquelas situações em que as circunstâncias o pressionarem para definir uma negociação baseada apenas no preço.  Buscando a diferenciação em relação à concorrência poderá estar sendo criada a desejada diferenciação de valor que será percebida  pelo cliente.

4.  Administre inteligentemente sua linha de produtos ou serviços, pois é muito comum empresas desenvolverem tantas variações na oferta -  com diferenças tão insignificantes - que acabam influenciando e encorajando os clientes a comprarem os produtos ou serviços mais baratos, os quais  muitas vezes, apresentam menores margens.

5.  Pratique preços que reflitam adequadamente a quantidade e qualidade do valor  (produto ou serviço) oferecido pois em toda negociação existirá a possibilidade de se aplicar  um preço justo e proporcional a tal valor.

Segundo Shapiro, mesmo as empresas que conseguiram aplicar essas cinco primeiras recomendações encontraram dificuldades na implementação das duas subseqüentes. Vamos a elas:

6.   Cumpra todas as promessas que fizeram o cliente perceber a diferenciação do valor oferecido, pois se isso não ocorrer, o mesmo terá muitas razões para concentrar-se exclusivamente no preço. Ao ter suas expectativas plenamente atendidas, o cliente tenderá a ser bem mais flexível na negociação dos preços.

7.  Tenha coragem...sempre!  Principalmente nas grandes negociações, os clientes “batem” fortemente na questão preço. Por isso, é preciso mostrar coragem, uma vez que é mais fácil ser tentado a manter o cliente ou participação no mercado através da redução do preço.

Na realidade, quase todas as recomendações requerem coragem, pois não é fácil escolher e descartar clientes, como também é difícil desenvolver e ser percebido pela diferenciação do produto ou serviço oferecido.


  • Considerações finais
Todos sabemos que empresários, executivos e gestores enfrentam, diariamente, as mais variadas formas de pressão na condução de suas empresas e o preço a ser praticado no mercado representa sempre um grande desafio que requer estruturas enxutas, competência, informações gerenciais consistentes, monitoramento constante, equilíbrio e sensatez.  Mesmo com tudo isso, você será tentado a reduzir o preço em muitas circunstâncias. Por isso, concordo plenamente com Shapiro quando afirmou:

            “ O que mais exige coragem, no entanto, é ser diferente. Coragem para
            superar o medo de ser diferente é um artigo muito escasso,  mas   quem
            a tiver será regiamente recompensado. É essa diferença que permitirá a
            você fazer o seu preço e não deixar que o façam por você.”  

Portanto, não caia na tentação!

Autor: Carlos A. Zaffani  -  Consultor em Gestão de Empresas

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Cuidados a serem tomados na construção de sua carreira profissional

Entrevista que, há alguns anos, concedi para a intranet de uma grande instituição financeira e que, posteriormente, também foi publicada no site do Cenofisco. Nela, abordo vários aspectos sobre os cuidados a serem tomados na construção de uma carreira profissional, bem como em relação aos ciclos dessa trajetória. 

Entendo que as abordagens e recomendações continuam válidas!





1 – Muitas pessoas acham que os anos passam rápido demais. Isso é verdade ou somos nós que decidimos o ritmo de nossas vidas?
R:  Inicialmente, a sensação do tempo passando rápido demais é uma realidade cada vez mais presente em nossos dias  - especialmente para quem vive nas grandes cidades - porque estamos expostos a inúmeros “agentes” (trabalho, estudo, trânsito, insegurança, meios de comunicação, Internet, etc) que atuam como aceleradores de nossa vida. De outro lado, cada um de nós pode dosar tal “aceleração” através de atitudes, posturas e comportamentos que exigem disciplina, persistência, serenidade e muita dedicação pessoal. 


2 – Se colocarmos o pé no acelerador, não corremos o risco de deixar passar coisas importantes? E se pisamos no freio não podemos levar a vida em marcha lenta, o que pode ser fatal para a carreira?
R:  Assim como na direção de um veículo possante, se acelerarmos demasiadamente, poderemos até chegar mais rápido no destino, porém correremos o sério risco de provocarmos um acidente e demorarmos muito mais para chegar onde desejamos. Por isso, sou partidário do equilíbrio na dosagem com que programamos a nossa jornada de vida profissional, ora acelerando na busca dos objetivos de curto prazo e ora mais lentamente, na consecução de nossas metas de longo prazo.
Atualmente, percebo nos jovens, uma necessidade muito forte de crescimento rápido, porém, quase sempre, sem a devida consistência na formação e experiência, o que tem contribuído para muita decepção, tanto para o profissional quanto para as organizações.

3 - Quais são os ciclos da vida profissional? Eles realmente têm a ver com a idade? Qual é a relação que se pode fazer? Como o profissional pode administrar os ciclos?


R:  Podemos sintetizar os ciclos da vida profissional em quatro momentos, ou seja:
·         aqueles que estão iniciando a carreira;

·         aqueles que estão no meio da carreira, porém com falta de perspectivas de crescimento;

·         aqueles que estão no meio de uma carreira ascensional; e

·         aqueles que estão na fase final de suas carreiras


Entendo que não existe uma regra estabelecida em relação à idade, porém da mesma forma que um profissional muito jovem dificilmente chega a um cargo de direção com pouca experiência, um outro com uma certa idade e muitos anos numa mesma posição hierárquica em nível de assistente ou encarregado, alcançará uma posição executiva.

Cada profissional precisa fazer sua autoavaliação sobre o seu momento, onde se encontra e a partir daí, direcionar os passos subsequentes para encerramento ou não de um ciclo.


 4 – Quais são as reflexões mais importantes (ou as perguntas) que deve fazer ao encerrar um ciclo e iniciar outro?


R: Eu diria que , essencialmente, o profissional precisa refletir e responder uma pergunta básica: estou feliz e realizado na minha vida profissional? Se for negativa, faz-se necessário encontrar respostas conclusivas (isso pode ser feito com a aplicação dos “por quês?” até que não exista mais nenhum) e então estabelecer os passos e/ou ações seguintes.
Se a resposta à pergunta básica for positiva, reavalie se seus objetivos continuam claros e continue a jornada.


 5 – Muita gente deixa a decisão sobre suas vidas para amanhã e esse amanhã nunca chega ou chega tardiamente. Tomar decisões e mudar é difícil, mas quais riscos essa postura traz?
R: Na verdade, a maioria dos seres humanos tende a procrastinar suas decisões, “deixando” para outro dia ou para um outro tempo que nunca chega e, com isso, passa a conviver com vários ciclos “em aberto”, os quais acabam contribuindo negativamente nos vários contextos da vida.

Todos nós tomamos decisões em vários momentos de nosso dia-a-dia e não nos apercebemos disso. Todavia, no campo profissional, é comum deixar para amanhã, depois ou nunca e, isso é um dos maiores erros que podemos cometer. Quantos profissionais, por medo ou acomodação, passam a vida infelizes,  simplesmente porque foram incapazes de tomar decisões que envolviam algum risco. Nesse ponto lembro que o risco é parte integrante da trajetória de todo profissional que quer crescer!


 6 – Quais são as consequências da má gestão de carreira?
R: A má gestão de carreira e dos ciclos da vida profissional pode conduzir a pessoa a um estado de exaustão prolongada e consequente diminuição do interesse em relação a todas as coisas que se relacionam ao trabalho. Na medida em que os ciclos profissionais não são fechados, crescem os problemas de relacionamento com as chefias e demais colegas, caem o desempenho e o grau de cooperação com a equipe e aumentam os conflitos internos.

Acredito que as pessoas que conseguem desenvolver uma boa gestão de carreira e dos ciclos da vida profissional se fortalecem e “acumulam energia” que as ajudam a resolver os problemas e superar as barreiras e dificuldades com naturalidade. Apesar de concordar que ser resiliente é uma questão de atitude, tenho certeza que, gerir competentemente a carreira e os ciclos da vida profissional, encerrando-os no tempo certo ou quando as circunstâncias impuserem, irá ajudá-lo a fortalecer seu grau de resiliência.


7 – O que você recomendaria para: os jovens em início de carreira; para aqueles que estão no meio de uma carreira ascensional; para os que estão na fase final de carreira?
R:   Para aqueles que estão em inicio de carreira, recomendo um “planejamento de ciclos”: a estruturação de como se pretende construir a carreira ao longo dos anos. Para tanto, é preciso projetar e estabelecer metas (com prazos) até onde se quer chegar e os meios necessários. Recomendo que jamais se esqueça de que o medo pode ser um dos maiores obstáculos para o encerramento de um ciclo.

Para os que estão no meio da carreira, mas estagnados, minha recomendação é fazer uma “revisão dos ciclos” e planejar os “novos” necessários para uma retomada do desenvolvimento profissional. Para estes lembro que, além do medo, a acomodação pode ser o principal adversário de seu progresso.

Para os que estão crescendo na carreira, recomendo fazer uma “reflexão dos ciclos passados” e a forma como cada um deles foi concluído, extrair os melhores ensinamentos e projetar os “novos”, ainda com maior consistência. Mas, cuidado! 

Com uma carreira vitoriosa até aqui, certamente o medo não marcou presença em sua trajetória, porém não se esqueça que, se de um lado a confiança é uma das principais qualidades dos profissionais vitoriosos, o seu excesso poderá criar uma “cortina” que impedirá a visão realista dos ciclos atuais e futuros de seu desenvolvimento.

Para aquele que está em final de carreira, independentemente se foi um  profissional de grandes conquistas ou não, lembre-se, em primeiro lugar, que o encerramento de uma carreira deve representar apenas o final de um dos ciclos da vida e assim como o nascer do sol anuncia um novo dia, a perspectiva do final da carreira deve ser o incentivo para a formulação de um (ou vários) ciclo(s) que contemple(m) aspectos que possam trazer bem estar, prazer, realização e crescimento interior.

Para quem se encontra nesse estágio da vida profissional, é essencial a formulação de ciclos que privilegiem a família, a sociedade (representada pelos seres humanos mais carentes), a saúde e a espiritualidade.

Bom trabalho e até breve!

Autor: Carlos A. Zaffani  -  Consultor em Gestão de Empresas